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Brega da Semana- Odair José

Por Matheus Trunk

Intitulado na época como o “Bob Dylan da Central do Brasil”, “o cantor das putas”, “o terror das empregadas” ou mesmo como o “cantor da pílula”, Odair José foi um dos maiores cantores dos anos 70. Talvez ninguém personificou o estilo musical brega de tal maneira como ele e de músicas tão emblemáticas no gênero. Nascido em Morrinhos- GO a 16 de agosto de 1948, de família humilde Odair logo veio ao Rio de Janeiro, iniciando-se como cantor de cabarés, boates e inferninhos. Essa aproximação com o mundo marginal teria grande influência em seus trabalhos posteriores. Levado a gravadora CBS, inicia sua carreira artística em 1970 gravando compactos, já conseguindo dois anos depois o primeiro grande êxito: EU VOU TIRAR VOCÊ DESSE LUGAR, que causou furor entre os mais conservadores. A letra contava a história de um rapaz que se apaixonando por uma prostituta, a resolve tirar da zona do meretrício. Definiu a si próprio e seu estilo na música “Assim Sou Eu”: .“Uma pulseira de couro querendo ser novidade/Um cabelo tão grande/Alguém que o amor esqueceu/Assim sou eu”. Até hoje, ele continua com os longos cabelos, as camisas abertas e as correntes e pulseiras que sempre seduziram as milhões de fãs por todo território nacional.

A polêmica foi tamanha que Odair teve de mudar de gravadora, para a concorrente Polydor em que viveu sua fase de maior sucesso. Lançando em 1973 o disco “Odair José” foi o que mais vendeu da carreira do cantor com sucessos como “Deixa Essa Vergonha de Lado”, “Que Saudade de Você”, a romântica “Eu Você e A Praça” e o mega-sucesso polêmico “UMA VIDA SÓ (PARE DE TOMAR A PÍLULA)”. Censurada, a música consagrou o cantor entre as classes populares do Brasil, o transformando num ídolo de toda a sua geração. Nessa época, Odair José foi casado com a cantora Diana, mas o casamento foi extremamente conturbado, tendo terminado logo em seguida. Os anos 70 levaram o cantor outras vezes as paradas de sucesso em músicas como “A Noite Mais Linda do Mundo”, “Revista Proibida” e “Noites de Desejo”. No momento consagrador de sua carreira, cantou no Phono 73 (evento da gravadora Philips) ao lado do tropicalista Caetano Veloso

Em 1977, o cantor dá uma nova guinada em sua carreira, mudando de gravadora mais uma vez para a RCA Victor e gravando a ópera-rock “O Filho de José e Maria”, em que o cantor goiano simplesmente reconta a Bíblia e a história de Jesus Cristo por ele mesmo. O fracasso comercial foi imenso, o que levou o artista a voltar ao velho estilo romântico- cafona. Os anos 80 e 90 não foram dos melhores para ele e outros artistas de sua geração, que se viram afastados das paradas de sucesso e do mercado fonográfico nacional. Porém, de cinco anos pra cá, Odair começa a ser re-valorizado e volta freqüentar programas de TV e rádio, ganhando um disco tributo com novas versões de antigos sucessos seus. Os intérpretes são uma nova geração de artistas fãs dele como Zeca Baleiro, Pato Fu, Mundo Livre S/A, Paulo Miklos, entre outros. Em toda sua carreira, Odair vendeu cerca de quatro milhões de discos e se consagrou como um dos grandes nomes da canção cafona brasileira.



Escrito por Matheus Trunk às 00h36
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